A primeira métrica mostra se os compradores clicam no seu menu, afinal. A segunda responde a uma pergunta diferente: depois que eles clicaram, qual a distância que precisam percorrer para chegar até aquilo que querem comprar?
Isso é a profundidade de navegação. De forma simples, é o número médio de passos que uma pessoa precisa dar da página inicial até uma página de produto. Quanto menos passos, mais curto o caminho até o carrinho. Quanto mais passos, mais lugares para o comprador cansar, se distrair e fechar a aba.
Eu já tive uma loja onde eu mesmo — a pessoa que a construiu — ainda precisava clicar quatro vezes para encontrar um produto que vendia bem. Foi nesse momento que a ficha caiu: se o dono da loja se perde, como é que um visitante de primeira viagem não se perderia?
O que é profundidade de navegação e como ela se difere de “quantas páginas um comprador vê”
Há duas coisas fáceis de confundir, e que precisam ser mantidas separadas.
Uma é o número de páginas por sessão — o total de páginas que um comprador vê, incluindo o tempo que passa navegando, comparando e lendo avaliações. Um número alto aqui não é necessariamente ruim.
A outra é a profundidade de navegação, ou profundidade de cliques — o número de passos necessários para ir do ponto A (a página inicial, ou uma categoria de nível superior) ao ponto B (uma página de produto). Esse é o custo estrutural que você impõe aos compradores, queiram eles ou não.
Um caminho típico numa loja grande costuma ser assim: Página inicial → Categoria → Subcategoria → Subcategoria mais profunda → Produto. Quatro passos. Cada passo adicional é mais uma vez que o comprador tem que ler, entender, decidir e esperar uma página carregar.
Como medir a profundidade de navegação no GA4
Você não precisa adivinhar. O GA4 permite que você veja diretamente o caminho real que seus compradores percorrem.
Há duas abordagens comuns:
- Explorador de usuários (User Explorer): ver a jornada de um usuário específico, passo a passo. Bom para examinar alguns casos representativos e ter uma noção de onde os compradores estão se perdendo.
- Exploração de caminhos (Path Exploration) (ou montar uma Exploração de funil): ver a sequência em que os compradores se movem da página inicial → categoria → produto → adicionar ao carrinho. Mais importante do que o número, isso mostra os pontos de abandono — o passo em que mais compradores desistem.
A Exploração de caminhos desenha um diagrama no estilo Sankey: os ramos que engrossam são por onde muita gente passa, e os ramos que afinam são becos sem saída. Alguns minutos olhando e você vai enxergar na hora qual caminho os compradores reais percorrem, e se ele corresponde ao caminho que você imaginava que eles fariam.
Uma dica: não olhe apenas o número médio. Separe por dispositivo. Mobile e desktop costumam ter profundidades bem diferentes, porque os menus mobile tendem a forçar os compradores a tocar mais vezes para abrir cada camada.
Um benchmark — e uma ressalva importante
Como regra geral, o caminho até seus principais produtos deveria caber dentro de 2-3 passos. Quando os caminhos costumam chegar a cinco passos ou mais, sua estrutura provavelmente está profunda demais.
Mas aqui preciso ser honesto. A famosa “regra dos três cliques” é, na verdade, um mito. O Nielsen Norman Group ressalta que ela nunca foi sustentada por nenhum dado, e nos estudos que eles citam, a taxa de abandono não aumentou quando uma tarefa ultrapassava três passos, nem a satisfação caiu. O que cansa um comprador não é o número de cliques.
O que cansa um comprador é o esforço de cada clique. Um passo com um rótulo claro, que leva exatamente para onde o comprador espera, é quase gratuito. Um passo vago, que faz o comprador parar e adivinhar onde clicar, é o caro.
Então trate o benchmark de 2-3 passos como um sinal de alerta, não como uma lei rígida. Profundidade alta é um indício para você ir investigar por que ela é profunda — não um número a ser forçado para baixo a qualquer custo.
Por que os menus ficam profundos
Quando vou investigar, costumo encontrar três culpados.
Camadas demais de hierarquia. Você adiciona uma subcategoria, depois uma sub-subcategoria, depois uma sub-sub-subcategoria. Cada camada fazia sentido na hora em que você a adicionou, mas juntas elas formam um labirinto. Segundo o Baymard Institute, até 37% dos sites de e-commerce espremem todo o catálogo dentro de um único item de menu (algo como “Loja” ou “Produtos”) — uma estrutura que causa todo tipo de problema quando os compradores tentam se aprofundar.
Sem atalhos. Não há atalhos para suas categorias campeãs de vendas. Um comprador que quer “Calçados Masculinos” precisa passar por “Moda” → “Masculino” → “Calçados” → “Calçados Masculinos” um por um, mesmo que a maior parte da sua receita esteja bem ali.
Sem blocos em destaque no mega menu. Seu mega menu apenas lista nomes de categorias secos, sem nenhum bloco que leve direto para uma coleção em alta, novidades ou a oferta da semana. Os compradores têm que se virar sozinhos, em vez de serem convidados a entrar.
A solução: deixe os compradores “saltar etapas”
A boa notícia: corrigir a profundidade não é difícil, e geralmente não exige mexer no seu catálogo.
Achate a estrutura. Una camadas que são quase idênticas. Faça a cada camada uma pergunta: essa camada realmente ajuda o comprador a estreitar suas escolhas, ou é só mais uma porta para abrir? Se for a segunda opção, remova.
Use o mega menu para saltar etapas. Esse é o ponto-chave. Um bom mega menu coloca a hierarquia achatada diante do comprador, para que ele possa pular direto para a categoria de que precisa em vez de ir passo a passo. O Nielsen Norman Group observa que os mega menus funcionam bem para navegação porque permitem que os compradores vejam suas opções em vez de ter que lembrá-las. O Baymard também mostra que o mega menu é o estilo de navegação mais comum em grandes sites de varejo, porque é rápido e fácil de escanear.
Para deixar concreto para quem vende: em vez de fazer os compradores atravessarem quatro camadas para chegar a “Camisetas Masculinas”, coloque “Camisetas”, “Jeans”, “Novidades” e “50% Off” direto no mega menu do desktop. No mobile, uma Tab Bar na parte inferior da tela permite fixar seus 4-5 atalhos mais importantes sempre ao alcance do polegar — um toque e o comprador já está lá, sem precisar abrir o menu hambúrguer e se aprofundar.
É exatamente para isso que o Navi+ foi criado: montar um Mega Menu, uma Tab Bar e um Slide Menu por arrastar e soltar, sem código, configurar mobile e desktop separadamente e permitir que você anexe um bloco de coleção em destaque que leva direto para uma coleção campeã de vendas. O objetivo não é um menu mais bonito — é um caminho mais curto da página inicial até o botão “Comprar”.
Uma última observação, para você não exagerar: não fique tão obcecado em cortar passos a ponto de espremer tudo numa única tela bagunçada. Cada atalho que você adicionar deve ter um rótulo claro e corresponder ao que os compradores querem. Menos esforço, não apenas menos cliques — esse é o verdadeiro espírito dessa métrica.
Este artigo faz parte do guia maior sobre Como Saber se o Seu Menu Está Funcionando — 5 Métricas para Acompanhar.